sábado, 3 de setembro de 2011

A assistência social - Livro De Mendigo a Milionário


Boa noite queridos leitores!

Nesta noite de frio, venho aquecer o coração de vocês com mais um fragmento do livro De Mendigo a Milionário. Abaixo segue parte do capítulo 'A Assistência Social', que se incia na página 171 do seu exemplar. Para quem não adquiriu ainda o livro, escrito por Paulo R. de Souza, basta clica no link ao lado nesta mesma página. Você será levado diretamente para o site de compra. Não perca tempo e encomende o seu...

"...Era dia 31 de dezembro de 1999, estávamos em quatro: eu, o Zé Bunitin, o Alemãozinho e o falecido Nerso bebericando em volta dos coqueiros próximos das pedras do Canal do Marambaia, quando estacionou a Kombi do Serviço de Migração da Secretaria de Assistência Social e lembro que eles chegaram apavorados, pedindo os documentos de todos e, de antemão foram avisando que, quem não tivesse o título de eleitor de Balneário Camboriú, teria que embarcar na Kombi pois iriamos dar um passeio. 
Meu colega Zé Bonitin quis peitar os caras da Kombi e invocou os direitos constitucionais dos cidadãos brasileiros, como o direito de ir e vir. Foi quando o bicho pegou. Aliás, a mangueirada pegou, e pegou feio... os caras da Kombi usavam a mangueira de gasolina como chicote. O Alemãozinho se exaltou em defesa do Zé e um dos caras da Kombi(que iremos chamar aqui de Serjão), pediu reforço policial. Os homens da lei chegaram e nos colocaram dentro da Kombi na marra, partindo em seguida com destino ignorado conosco a bordo. Esse tal de Serjão, de quando em quando, parava a Kombi e dava umas mangueiradas em quem não queria parar de falar.
Eu tentei argumentar com os caras que todos nós éramos cidadãos de bem, que eu, inclusive, era cozinheiro da Marinha Mercante. Que o Zé Bunitin era despachante, que o Nerso tinha sido gerente de uma auto viação conhecida, que o Alemãozinho era enfermeiro por formação e que,afinal, aquele era o dia mais impróprio para correr com as pessoas desamparadas pelo implacável destino, pois era véspera do dia da Confraternização Mundial(31/12/1999). Os caras mandaram eu calar a boca para que não levasse umas mangueiradas também. Me calei para o não ser agredido. Não queria romper o ano com nenhuma cicatriz, nem tampouco marcas de vergastas. Chegamos a uma estradinha vicinal no Perequê, município de Porto Belo. A cada quilômetro eles paravam a Kombi e iam soltando um por um. Eu fui o terceiro a ser solto.
A estradinha era um breu. Até a BR-101 daria uns cinco quilômetro. Fui a pé. Na minha cabeça, só lembrava da Kombi e com os dizeres Assistência Social. Engraçado! Os anos se passaram, mas eu nunca esqueci da fisionomia daqueles três. A vida é uma bola. No dia 31 de dezembro de 2007, estava trabalhando a noite no serviço de Moto Taxi, em Itajaí.  Recebemos uma chamada onde uma loira pedia uma corrida. Ela estava na Praia Brava e queria ir a um determinado bairro. Eu prontamente rumei para onde a passageira gostaria de ficar. Era 23h55. Ela me pediu para parar num bar, pois iria levar umas latinhas de cerveja para sua quitinete, pois tinha brigado com o namorado a beira mar. Por falta de opção, parei num boteco bem simples e a passageira desceu.  Eu continuei de capacete. Na calçada, ao meu lado, pude notar um senhor magro, acabado e todo desfigurado, bêbado e falando sozinho. Desliguei a moto e tirei o capacete. Fui ajudá-lo a se recompor e, para minha surpresa, era aquele Serjão da Kombi que, há dois anos, tinha sido meu algoz e de meus companheiros. Lembrei que naquela época, oito anos atrás, precisávamos de ajuda, não de sequestro e de mangueiradas...."


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Grande abraço, ótimo sábado a vocês!!!

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