"Hildebrando era
um rapaz tranquilo, estava com trinta e dois anos e dizia ter muita “lenha pra
queimar” ainda. Mas do jeito que andava levando a vida a tal lenha não iria
durar muito. Ele ingeria muita cachaça e acabou se tornando um alcoólatra,
mesmo negando a dependência como na maioria dos casos. Era mineiro de Guaxupé,
mas vivia numa cidade do interior de São Paulo. Havia sido mecânico de duas
extintas companhias aéreas, a Varig e a Vasp.Viajara pelo mundo inteiro
consertando motores como o Boeing 737, Bufallo, Air-Bus, Bombardier.
Era um “crânio”
no que fazia, porém acabou ficando desempregado e, além das dificuldades que
passava começou a beber demais e se encontrava em forte vulnerabilidade social.
Fora despejado da casa onde morava e o pouco que ainda possuía estava penhorado
num boteco ao lado da delegacia de polícia. Seus poucos amigos ainda o chamavam
de Meca, pelo bom mecânico que foi, e provava mostrando suas carteiras profissionais
devidamente assinadas, e os passaportes carimbados mostrando suas passagens por
vários países.
Acordou pela
manhã e, ainda entorpecido pelo álcool da noite anterior, demorou um pouco para
recobrar os sentidos. Foi examinando as paredes tentando lembrar-se onde havia
dormido, reconhecendo o interior da lixeira próximo ao cemitério israelita da
cidade. Meio trêmulo abriu a porta da lixeira e, antes de enxergar o tempo lá
fora, aproveitou-se da claridade que incidia e enxergou uma garrafa de plástico
de aguardente, daquelas bem xexelentas de R$1,99.
Olhou o tempo lá
fora e viu que o mar não estava pra peixe, então resolveu tomar seu primeiro
gole do dia. Olhando para o céu entre as nuvens escuras, avistou uma baita asa
de prata, era assim que se referia às grandes aeronaves..."
Este é um fragmento do livro Diário de bordo da Kombi, que será lançado em breve.
Este é um fragmento do livro Diário de bordo da Kombi, que será lançado em breve.
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