terça-feira, 20 de março de 2012

Folhetim 1 - O Mendigo e a Psicóloga

"Hildebrando era um rapaz tranquilo, estava com trinta e dois anos e dizia ter muita “lenha pra queimar” ainda. Mas do jeito que andava levando a vida a tal lenha não iria durar muito. Ele ingeria muita cachaça e acabou se tornando um alcoólatra, mesmo negando a dependência como na maioria dos casos. Era mineiro de Guaxupé, mas vivia numa cidade do interior de São Paulo. Havia sido mecânico de duas extintas companhias aéreas, a Varig e a Vasp.Viajara pelo mundo inteiro consertando motores como o Boeing 737, Bufallo, Air-Bus, Bombardier.
Era um “crânio” no que fazia, porém acabou ficando desempregado e, além das dificuldades que passava começou a beber demais e se encontrava em forte vulnerabilidade social. Fora despejado da casa onde morava e o pouco que ainda possuía estava penhorado num boteco ao lado da delegacia de polícia. Seus poucos amigos ainda o chamavam de Meca, pelo bom mecânico que foi, e provava mostrando suas carteiras profissionais devidamente assinadas, e os passaportes carimbados mostrando suas passagens por vários países.
Acordou pela manhã e, ainda entorpecido pelo álcool da noite anterior, demorou um pouco para recobrar os sentidos. Foi examinando as paredes tentando lembrar-se onde havia dormido, reconhecendo o interior da lixeira próximo ao cemitério israelita da cidade. Meio trêmulo abriu a porta da lixeira e, antes de enxergar o tempo lá fora, aproveitou-se da claridade que incidia e enxergou uma garrafa de plástico de aguardente, daquelas bem xexelentas de R$1,99.
Olhou o tempo lá fora e viu que o mar não estava pra peixe, então resolveu tomar seu primeiro gole do dia. Olhando para o céu entre as nuvens escuras, avistou uma baita asa de prata, era assim que se referia às grandes aeronaves..."


Este é um fragmento do livro Diário de bordo da Kombi, que será lançado em breve.

Nenhum comentário:

Postar um comentário